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caverna-caderno

  • Lyncoln Diniz
  • 11 de mai. de 2015
  • 1 min de leitura

hoje quero falar em outros tempos

tocar aquele que ainda não veio

mas que sim, virá

será aqui então, assim, como estou

sintonizado no canal desta carne

eu quero encontra-lo

este será meu futuro

será que me escutarás?

será minha escrita precisa suficiente para toca-lo?

quero que minha escrita seja agulha,

fazerei costuras, bordados e cirurgias

afiada, um fio de aço fino que crava na pedra a imagem,

risca, uma faísca suave na pele,

não somente entre, crie passagem

ó incorporada palavra,

te permito: siga viagem,

transporta-me em tua cavalgada insana tão longínquo recado

me curvo, este sou eu, a tua carruagem.

quero tocar-te.

carne e além.

respiro,

trago para dentro este ar que me envolve

estou cheio, são ciclos respiratórios, inspirações,

suspiro

e sopro esta voz

há algo

aguardando

a emergência da escuta

deste chamado:

ler e escrever

contemporâneo e antepassado

em uma só memória

esta voz que te chega

apela a outras vozes

apela a outras pedras

apela a outras mãos

e em fim te pergunto:

tens a consciência de que tu és teu próprio mensageiro?

chegamos até aqui,

nosso bruto presente

ecoando os nossos próprios retornos, sim, eternos.

e nos caminhos que que seguimos

encontramos estas mensagens

que se abrem à luz,

e assim que passamos pelo tempo:

pedra-papel

caverna-caderno

gesto-escrita

chamado-canto

verbo-carne

palavra-amor


 
 
 

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